quinta-feira, 27 de agosto de 2009

A Foto...

A Foto...

E lá estava a foto. Era a mesma de anos atrás. Trazia uma poesia livre de palavras, era uma imagem que, sozinha, transmitia uma sensação que entorpecia a alma, sutilmente.

A foto era a mesma e ficara ali por anos, apoiada na parede, em cima do criado-mudo, muda, sem dizer uma palavra. Claro! Fotos não falam, mas dizem suavemente o que o coração quer ouvir. Trazem aquela sensação inebriante de que algo bom um dia aconteceu e foi simplesmente da maneira que deveria ter sido, sem tirar, nem pôr.

A foto estava lá, as cores eram as mesmas, talvez um pouco desgastada pelo tempo, mas que, curiosamente, dava um ar de nostalgia àquele pedaço colorido de papel que insistia em me levar de volta para além dos muros de pedras que nos separam do pôr do sol diário.

Aquela foto. Ah! Aquela foto. Ela ficava ali parada como uma espécie de refúgio da alma que massageava meu coração com as mãos puras da saudade toda vez que distraidamente olhava praquele cantinho do quarto.

Era só uma foto. Um retrato de um momento como tantos outros momentos inesquecíveis da vida, mas que, com uma ajudinha da tecnologia, ficou plasmado pra eternidade, registrado nas lentes do ontem, levando pro amanhã a sensação que hoje tento levianamente descrever.

E assim a foto continua lá, cumprindo seu doloroso mais saboroso papel de comprovar a veracidade de um momento de felicidade que se vai lentamente, nas asas do tempo, mas deixando seu rastro de cores, como em um caleidoscópio sem lógica. E o que fica são vibrantes pontos de exclamações transmitindo a sensação dos que posavam para as lentes do fotógrafo – pobre rapaz por trás da câmera - esquecido, mas refletido nos olhos daqueles entusiasmados personagens pontificados. Dito isso, ponto final

A Foto