terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

E eis o tempo

Todo o tempo do mundo.

O tempo e sua relatividade, a partir dos olhos de quem tenta ver, acaba relativizado pelo prazer e dor que o momento exato faz experimentar àquele que tenta enxergar.

Todo o tempo do mundo não parece suficiente para quem precisa apenas de um pedaço de momento, quando o momento exato insiste em acontecer no momento errado.

Todo o tempo do mundo é uma grande perca de tempo para quem só precisa estar no tempo certo e no segundo exato, mas que, no segundo errado acerta o que seria o segundo certo, um segundo atrasado.

Todo tempo do mundo em um mundo onde o tempo nunca é o suficiente, nunca é o suficiente para representar tudo que o tempo construiu com o passar dos tempos.

Maldita vida corrida onde o tempo voa e - com ele - leva o tempo em que o “pra sempre” era um tempo longe demais, longe dos olhos, longe das mãos e longe dos braços e abraços de quem, um dia, sonhou poder sonhar com o infinito.

Na historia, o tempo representa a linha onde os romances desfilam, as mágicas encantam, as mentiras forjam ligeiras realidades mal-acabadas enquanto a realidade se confunde com a ficção, ao vivo, a cores e em high-definition.

Na historia do tempo, a linha que divide os amores foi riscada no compasso dos corações que batiam no ritmo do tic-tac apressado dos relógios que marcaram o “cada segundo” dos ponteiros incansáveis nas voltas que a vida dá e deu e dará.

Há de chegar o tempo em que a falta de tempo não vai ter tanta importância quanto ter tempo para tudo ou ter tempo para nada será nada mais do que areia derramada na ampulheta, basta dar tempo ao tempo.

Tempo – mano velho – relativo que é, relativiza as cores que o céu estampa no crepúsculo dourado da vida e desenha, no alto dos olhos de quem os tem e os usa para ver, um tempo em que as cores representem os corações e as emoções representem a vida e a vida seja desenhada em cores que apenas os corações coloridos possam ver.

E quando esse tempo vier, que seja eterno na medida exata da eternidade e, em sendo eterno, que seja não mais apressado que o bater de asas inquieto do beija-flor que paira e para no ar, sobre nossas emoções e nossos amores e paixões, ora esquecias, ora lembradas nessa gangorra incansável do destino.

E eis o tempo...


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